29 de Mar de 2021

Picapes usadas rendem mais que a bolsa e são vendidas mais caras que zero km

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Enquanto fábricas sofrem imensos problemas na produção, compradores têm pressa e aceitam pagar ágio para adquirir modelos seminovos sem demora

 


Picapes estão com moral altíssima no mercado, revivendo a prática do ágio Fernando Pires/Quatro Rodas

Crise e indústria automotiva poucas vezes estiveram tão juntas nos noticiários. Seja pela covid-19, desvalorização do real ou falta de matéria-prima, não faltam motivos para justificar a queda vertiginosa das vendas de carros no Brasil acompanhada da alta nos preços dos carros novos.

Olhando apenas o setor de picapes, entretanto, a história parece outra e, ainda que as vendas de caminhonetes também tenham diminuído em relação a 2019, a demanda é tão alta que as fábricas vêm tendo dificuldade de atendê-la. 

O resultado, por consequência, foi a valorização dos usados, mais caros que unidades novas, indica análise exclusiva da Kelley Blue Book Brasil.

Mais rentável que Bolsa de Valores


Nova Strada é o principal exemplo de valorização no pós-venda Fernando Pires/Quatro Rodas

Em meio ao caos, as picapes contaram, principalmente, com uma ajuda do agronegócio, que segue atendendo a demanda interna e ampliando suas exportações. Ao mesmo tempo, os modelos seguem visados por outros setores da economia, ainda mais atraídos por lançamentos como a nova Fiat Strada e o facelift da Toyota Hilux.

Se o preço médio elevado aparentemente depõe contra, na verdade isso significa também que os compradores particulares possuem renda média ampliada, sendo menos suscetíveis às crises.


Fator novidade e predileção antiga fizeram a Hilux superar capacidade de oferta da Toyota Divulgação/Toyota

A conta começa a não fechar quando, ao mesmo tempo de tudo isso, as fábricas enfrentam problemas nas suas linhas de produção; seja por falta de chips, pelo dólar alto ou lockdowns. Marcas como Chevrolet, Volkswagen e Honda, por exemplo, tiraram o pé do acelerador, aumentando os prazos de entrega. O mesmo vale para a produção dos Fiat em Betim.

QUATRO RODAS sentiu as consequências na prática e, para adquirir a Strada de Longa Duração, foram extensas negociações e prazos de até cinco meses. Após muitas tratativas, encontramos uma unidade em Santos (SP).

Segundo veículo mais vendido do Brasil em 2021, não surpreende que a Strada lidere o ranking de valorização da KBB, com preço-médio de revenda 3,37% maior que na concessionária.

A versão Endurance de cabine simples, por exemplo, é revendida a R$ 71.411, contra R$ 68.988 da tabela – 3,51% de valorização. Uma Volcano CD é cotada a R$ 88.942, frente ao valor zero-km de R$ 86.111.

Se fosse um papel da Bolsa, a Strada superaria com folga o índice Ibovespa (-3,52% no ano), além de empresas como Petrobrás e Vale no desempenho desde o início de 2021.

O fator novidade também vale para a Hilux, cuja versão repaginada tem aumento médio de 2,04% no período. O modelo SRX é, inclusive, líder de valorização nominal, custando, usado, R$ 5.545 a mais que o novo.

Completando a lista das queridinhas, há a Volkswagen Amarok (0,57%) com seu notável V6 e a Renault Duster Oroch (3,27%).

Especialista em análises do mercado, a própria KBB reforça que o Brasil vive situação atípica, estimulando o estudo. A empresa destacou o “desequilíbrio entre a oferta e demanda e os impactos da pandemia no fornecimento de matéria-prima para a produção de veículos”. 


O primeiro lote da Amarok V6 de 258 cv tinha 400 unidades e esgotou em 18 minutos. Nesse caso, gargalo ocorre na fabricação dos motores Fernando Pires/Quatro Rodas

Como muitas vezes os compradores não podem esperar, optam por um modelo pouco rodado, abrindo mão do cheirinho de carro novo e pagando, na prática, um ágio salgado.

Sem perspectivas claras quanto aos problemas atuais, a condição inusitada deverá permanecer por mais algum tempo, se estendendo, aos poucos, para modelos como o Onix, cuja produção encontra-se suspensa.


Nova Toro contará com turbo e câmbio automático em todas as versões. Não se assuste com modelos usados se valorizando Reprodução/Autos Segredos

A chegada de novas picapes, como a próxima Fiat Toro, também deve agitar o setor. Chance única para revender alternativas seminovas, com baixa quilometragem, e ainda embolsar uma grana.

Fonte: Quatro Rodas

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