17 de Mai de 2021

Na contramão do mundo, Toyota se recusa a abandonar motores a combustão

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A fabricante tem planos para a eletrificação total da linha, mas diz que isso levará mais tempo do que o esperado. Por isso, seguirá apostando nos híbridos

Toyota Corolla híbrido Fernando Pires/Quatro Rodas

A quantidade de fabricantes que não terão novos motores a combustão já não cabe mais nos dedos de duas mãos, mas ainda há quem se recuse a ceder totalmente à eletrificação.

Esse é o caso da Toyota, que revelou ter planos mais conservadores, que manterão os motores convencionais ainda por algum tempo. Isso não quer dizer, porém, que a japonesa não honrará seus compromissos de neutralidade de carbono.

O anúncio significa que a Toyota investirá por mais algum tempo nos veículos híbridos, que combinam motores elétricos e a combustão, sendo eles recarregáveis em tomadas, ou não. Esse tipo de conjunto se tornou tradição na empresa, que foi a primeira marca de volume a lançar um híbrido em uma época em que pouco se falava deles: o Prius estreou no mercado japonês em 1997.

Outras decisões globais e locais não deixam mentir sobre o foco da Toyota nos híbridos: a Lexus, sua divisão de luxo, foi a primeira marca a ter uma linha de produtos 100% híbridos; o carro mais vendido do mundo, o Corolla, rompeu barreiras e ganhou uma versão híbrida; e, novamente o Corolla, foi o primeiro carro híbrido bicombustível do mundo.

Prius foi lançado em 1997 e foi o primeiro híbrido de produção em série Divulgação/Toyota

Se por um lado o caminho da empresa mostra certa tradição, por outro tem causado polêmica. De acordo com a agência de notícias Reuters, o CEO da Toyota, Akio Toyoda, tem sido criticado por acionistas por sua postura contrária aos modelos totalmente elétricos. Os investidores têm feito ameaças à empresa, dizendo que consideram vender suas participações.

Ainda segundo a agência, o diretor de pesquisas ambientais e energéticas da fabricante, Rober Wimmer, depôs aos senadores dos Estados Unidos dizendo que a eletrificação não é uma tarefa simples e barata. “Se quisermos fazer um progresso dramático na eletrificação, será necessário superar enormes desafios, como infraestrutura de recarga, disponibilidade de baterias, acessibilidade e aceitação dos consumidores”, disse Wimmer.

A previsão otimista da Toyota é de que, em 2030, nos EUA, 70% das vendas das marcas Toyota e Lexus sejam de modelos elétricos – movidos a energia elétrica ou a células de hidrogênio.

Traços angulosos marcam o visual do Lexus UX, carro de entrada da marca japonesa no Brasil Fernando Pires/Quatro Rodas

Eletrificação virá, mas vai demorar

A Toyota não considera fugir da eletrificação, mas diz que isso levará mais tempo do que o esperado. Também durante o depoimento nos EUA, Wimmer disse que “não é que a Toyota seja totalmente contra uma mudança em toda a indústria para os elétricos, ela simplesmente reconhece que levará mais tempo do que 14 anos até que a promessa da GM seja aplicada”, destacando que a Toyota levou 20 anos para vender mais de 4 milhões de híbridos. 

Apresentado há menos de um mês como conceito, o bZ4x será o primeiro carro totalmente elétrico da Toyota e o primeiro de uma linha inédita que contará com 7 modelos, que chegarão até 2025. Outros 8 modelos, todos híbridos, também estão previstos para serem apresentados no mesmo período.

Divulgação/Toyota

Na concorrência

Enquanto a Toyota ainda manterá os motores a combustão vivos por mais bons anos, cada dia mais concorrentes anunciam o fim deles. Pra o presidente da Stellantis, Carlos Tavares, o futuro elétrico é irreversível e quem demorar a aceitá-lo só terá prejuízos, por isso anunciou que as marcas do grupo recém-criado não desenvolverão novos motores do tipo. A Honda cravou para 2040 o fim da combustão em seus motores, enquanto a Mini traz a realidade para mais perto, em 2030.

Pouco depois de a Audi anunciar que não desenvolverá novos motores a gasolina ou diesel, a Volkswagen foi pelo mesmo caminho. Já a Volvo, que já cessou as venda de carros totalmente a combustão e hoje comercializa apenas híbridos, disse que, a partir de 2030, são grandes as chances de ter apenas modelos elétricos.

Fonte: Quatro Rodas

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