21 de Mar de 2014

Mulheres ensinam a evitar estresse no trânsito

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Um chamado no rádio anuncia um acidente envolvendo um motociclista, e Andrea Amador Ruiz corre para assumir a direção de uma das ambulâncias do Serviço de Atendimento de Urgência de Várzea Paulista, em São Paulo. Dirigir sob pressão é uma atividade que certamente pode ser sinônimo de estresse para muitos motoristas, mas Andrea adora a adrenalina e garante que, quando está no comando da ambulância, não há nada na direção que provoque uma sensação de desconforto ou aflição. Hoje ela faz parte do grupo de mulheres que ensinam como evitar o estresse no trânsito.

Ex-bancária, Andrea começou a dirigir profissionalmente em transporte escolar em 1995. Na década seguinte, fez vários cursos de direção e atuou como instrutora em cursos específicos para obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Foi também examinadora de trânsito em cursos específicos de transportes escolares, transporte de produtos perigosos e de emergência. Em 2007, Andrea fez um concurso para a Prefeitura da Várzea Paulista para fazer parte do time de motoristas de ambulâncias.

Apesar de ter um cotidiano estressante, Andrea acha que é bem calma ao volante, sobretudo no trabalho. “Ao assumir o controle da direção da ambulância, fico tão focada no trânsito, pois há uma vida dependendo de mim, que não há espaço para estresse. É mais fácil eu ficar tensa quando dirijo meu próprio carro”, comenta.

Para driblar o estresse quando está dirigindo seu carro, Andrea ouve música gospel, pensa nas situações em que foi obrigada a guiar com precisão para salvar vidas e nunca se exalta extremamente ao ver uma injustiça no trânsito. “Brigo comigo dentro do carro, mas mantenho distância do carro da frente, sempre, pois é preciso dirigir de forma defensiva. É o que pratico desde que comecei a guiar profissionalmente”, afirma.

Para Andrea, é fundamental que o motorista, profissional ou não, tenha atenção a cinco tópicos. “É preciso dirigir com conhecimento, atenção, agilidade, habilidade e prevenção. Isso ajuda a lidar com o estresse do trânsito”, conta.

A carioca Celia Regina de Menezes sai da sua casa, em Maricá, no litoral Norte do Estado do Rio de Janeiro, de segunda-feira à sexta-feira, às 5h15. Ela faz um percurso de uma hora, em média, para chegar ao ponto de táxi onde trabalha na Zona Sul da capital Fluminense. A jornada de trabalho ao volante só se encerra por volta de 19h, quando ela retoma o caminho de volta para casa.

Há 23 anos, Celia dirige táxis e conserva o bom humor. “O trânsito é muito estressante, não há dúvidas, mas eu procuro não me aborrecer. Se eu levo uma fechada, deixo o outro motorista seguir seu caminho. Não me aborreço também com as piadas frequentes que ouço por ser mulher e taxista. O que falta no trânsito e na vida, de um modo geral, é mais compreensão”, alerta.

Para a taxista, o motorista tem, em percursos longos ou pequenos, muitas chances de se chatear. “O trânsito intenso, os engarrafamentos, a falta de gentileza são fatores suficientes para abalar o humor. Mas é preciso manter a calma na direção”, recomenda Celia.

A violência e a intolerância também são levadas em conta por Célia na hora de tomar uma decisão ao volante. “Há muito individualismo hoje, e as pessoas estão muito imprevisíveis. É melhor desconsiderar ofensas e atitudes pouco educadas no trânsito do que perder a vida. Afinal, nunca se sabe quem está no volante do carro ao lado”, diz.

Fonte: De Carona com Elas

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