16 de Nov de 2021

Como o Volkswagen Gol GTi se tornou uma lenda entre os carros nacionais

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Não foi só a eliminação do ultrapassado carburador que transformou o Gol em um ícone esportivo dos anos 1980

Fernando Pires/Quatro Rodas

Estrela do Salão do Automóvel de 1988, o Gol GTi entrou para a história da indústria brasileira como o primeiro automóvel equipado com injeção eletrônica. O carismático modelo abriu mão do carburador para representar o ponto mais alto dos esportivos nacionais na década de 1980, marcada pelo fim dos esportivos V8.

A história do GTi começa em 1984, ocasião em que a VW apresentou o Gol GT, versão esportiva com um inédito motor de 1,8 litro refrigerado a água e potência declarada de 99 cv. Acelerava de 0 a 100 km/h em 11,7 segundos, com máxima de 168,87 km/h.

O esportivo mais rápido dos anos 80: 0 a 100 km/h em 10,4 segundos Fernando Pires/Quatro Rodas

Em 1987, a GT foi sucedida pela GTS, que manteve o Gol no posto de automóvel mais rápido do Brasil: era o único que acelerava de 0 a 100 km/h em menos de 11 segundos, mérito do comando de válvulas 049G.

A potência declarada continuava em 99 cv, mas ninguém acreditava: sua potência estimada ficava entre 105 e 110 cv. O ápice na carreira da primeira geração do Gol ficou reservado para o Gol GTi, que ganhou a injeção eletrônica Bosch LE-Jetronic.

O sistema de gerenciamento contava com dois processadores para controlar a alimentação e o sistema de ignição, de acordo com as condições atmosféricas, e do comando do acelerador.

Pela primeira vez um carro nacional dispensava o afogador: partidas a frio eram imediatas e não havia mais as hesitações e engasgos presentes nos carburadores.

Volante e manopla do câmbio de couro contrastavam com acabamento simples Fernando Pires/Quatro Rodas

O motor de 2 litros entregava 18,35 kgfm a 3.200 rpm e dos 120 cv a 5.600 rpm de maneira linear e com notável economia de combustível: 8,5 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada.

O sensor de detonação da ignição Bosch EZK implicou no uso de um cabeçote com tuchos hidráulicos, muito mais silencioso.

Sua personalidade era distinta da do GTS: suave e progressiva, acelerando de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos até 174,3 km/h de máxima (QUATRO RODAS de janeiro de 1989). O desempenho era contido por freios a disco dianteiros ventilados.

O GTi usava as mesmas rodas pingo d’água do GTS, mas sua decoração externa era exclusiva, desenvolvida pelo designer Guenter Hix: carroceria pintada na cor Azul Mônaco metálico com para-choques e apliques laterais na cor prata. Fechavam o pacote as lanternas fumês, o aerofólio e a antena no teto, que lançou a moda.

Os bancos Recaro eram exclusivos do GTi Fernando Pires/Quatro Rodas

Por dentro, o tradicional volante quatro bolas e a manopla do câmbio eram revestidos de couro. Os bancos Recaro recebiam apoios de cabeça vazados e o painel, iluminação vermelha.

O velocímetro tinha escala até 240 km/h. O sistema de som trazia o que havia de melhor na época: o rádio toca-fitas Bosch Rio de Janeiro.

O GTi ofuscou o brilho do Kadett GS, apresentado em 1989. O Chevrolet só ganhou injeção eletrônica em 1992: tornou-se o automóvel mais veloz do país, mas o GTi manteve o posto de nacional mais rápido.

A reestilização promovida em 1991 trazia capô e faróis arredondados e as famosas rodas Acapulco, popularmente chamadas de “Orbital”. Outras tonalidades de pintura começaram a ser oferecidas e em 1993 o GTi recebeu rodas raiadas no estilo BBS.

As rodas vinham do GTS Fernando Pires/Quatro Rodas

Impulsionado pelo mesmo motor de 2 litros, o Ford Escort XR3 de segunda geração fazia o GTi sentir o peso da idade. Avaliado na edição de QUATRO RODAS de fevereiro de 1993, o GTi foi o mais rápido em Interlagos, cravando uma volta em 2 minutos e 20 segundos: tanto o Kadett GSi quanto o Escort XR3i apresentaram problemas técnicos na pista.

A direção hidráulica surgiu como item de série em 1994, o último da primeira geração. Tudo indica que os GTi de segunda e terceira geração não irão alcançar o mesmo patamar de valorização do GTi original: os sucessores não causaram o mesmo impacto no mercado, aberto aos importados.

Ficha Técnica – VW Gol GTi 1989

Motor: longitudinal, 4 cilindros em linha, 1.984 cm3, comando de válvulas no cabeçote, alimentação por injeção eletrônica
Potência: 120 cv a 5.600 rpm
Torque: 18,35 kgfm a 3.200 rpm
Câmbio: manual de 5 marchas, tração dianteira
Pneus: 185/60 HR 14
Dimensões: comprimento, 384,9 cm; largura, 160,1 cm; altura, 135,5 cm; entre-eixos, 235,8 cm; peso: 950 kg

Fonte: Quatro Rodas

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